Jornal russo, 1987.
Século XXI. "Veja só, querido, os jovens tão se vestindo de um jeito engraçado hoje em dia".
Como estou com preguiça de escrever o que quer que seja, um pouco de músicas legais para quem gosta de folk e pagan metal, com direito a solos de acordeão.
Dias 11 e 13 de fevereiro de 1903, em São Petersburgo, a família imperial organizava um baile a fantasia. Nos convites, especificava-se o estilo das roupas: século 17, época anterior a ocidentalização do traje russo.
Nicolai e Alexandra estavam fantasiados de rei e rainha, e os demais convidados não ficavam atrás. As fantasias eram criadas por pintores da moda, e confeccionados por maiores costureiros do país: Lamanova e Brissac. Foram também feitas extensas pesquisas nos arquivos, para garantir a autenticidade das fantasias. Alias, algumas delas eram roupas de época autênticas, ajustadas e arrumadas.
A busca da autenticidade chama a atenção, pois nos demais países da Europa, as fantasias seguiam rigorosamente a moda do dia, simplesmente incorporando aslguns detalhes de época ou do vestuário tradicional. Por exemplo, a fantasia de uma dama medieval mantinha a silhueta dos anos 1890, com direito a cintura afinada pelo espartilho.
Entre os 390 convidados, estavam os 65 "oficiais dançantes", também fantasiados, especificamente para dançar com as damas. Isso porque, seguindo as tradições dos bailes da corte, um homem poderia receber o convite somente por mérito próprio, enquanto mulheres poderiam também ser convidadas em função dos méritos dos parentes do sexo masculino, de modo que havia muitas damas sem par para as danças.
A impressão era de um conto de fadas, do sem-número de trajes nacionais, ricamente enfeitados com peles raras, diamantes esplêndidos, pérolas e pedras preciosas, em grande parte em jóias antigas. Nesse dia, as joias de família apareceram em abundância que ultrapassava quaisquer expectativas.
Realmente, o baile era A oportunidade para exibir a riqueza e a opulência, portanto ninguem economizava.
As danças comuns foram precedidas pela execução de três danças tradicionais previamente ensaiadas, com solos de Elizabeth Feodorovna e Zinaida Yussupova.
Depois do baile, por ordem da imperatriz, os convidados foram fotografados pelos melhores fotógrafos de São Petersburgo...
Estive fuçando no meu blog hoje e achei, no histórico de buscas, uma bem curiosa, chamando os trajes formais da corte russa de kimonos. Enfim, mais kimonos, dessa vez com as quatro filhas do último imperador russo como modelos.
OTMA era um acrônimo as vezes utilizado pelas quatro meninas (Olga, Tatiana, Maria e Anastasia). A sigla foi criada quando elas ainda eram bem pequenas, como sinal de proximidade e afeição entre as irmãs. Quando, depois da revolução, tiveram o seu correio controlado e restringido, muitas vezes assinavam conjuntamente as cartas que escreviam para os amigos.
Rússia: Vestidos da Corte
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E as damas russas inevitavelmente atraíam a atenção de todos com a beleza e a riqueza dos nossos trajes nacionais. Kokoshnik, véu, vestido de corte histórico ricamente bordado com longa cauda e grande número de pedras preciosas não poderiam deixar de impressionar.
O esplendor perdido: Zinaida Yusupova
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Aos sete anos, a mãe era uma senhora de sociedade pronta: poderia receber visitas e manter uma conversa. Uma vez, um certo embaixador fez uma visita a avo, mas aquela mandou a filha, uma criança, recebê-lo. A mãe se esforçou ao máximo, oferecia chá, doces, cigarros. Mas tudo em vão! O embaixador esperava a dona da casa, e nem mesmo olhava para a pobre menina. A mãe esgotou tudo o que sabia, e já estava quase se desesperando, quando subitamente teve uma idéia brilhante, e disse ao embaixador: "O senhor não gostaria de fazer xixi?" O gelo foi quebrado. A avo, ao entrar na sala, viu que o visitante estava rindo como um louco".
A mãe era encantadora. Alta, fina, elegante, morena e de cabelos negros, com olhos que brilhavam como estrelas. Inteligente, educada, artística, bondosa. Ninguém conseguia resistir ao seu encanto. Mas ela não se gabava dos seus dotes, e era a própria simplicidade e humildade. "Quanto mais lhes foi dado, - repetia ela para mim e para o irmão, - mais vocês devem aos outros. Sejam humildes. Se estiverem acima dos outros em alguma coisa, Deus os salve de mostrar-lhes isso". Vários nobres europeus, e mesmo membros da realeza, pediam a mão dela, mas ela recusou todos, decidida e encontrar um esposo a seu gosto. O avo sonhava em ver a filha num trono e lamentava a falta de ambições dela. E lamentou também quando soube que ela vai se casar com o conde Elston, simples oficial.
A mãe tinha, por natureza, vocação para dança e teatro, e dançava e representava tão bem quanto as atrizes. No palácio real, num baile em que todos os convidados estavam vestidos com trajes do século 17, o imperador pediu que ela dançasse a moda russa. Ela foi, sem se preparar, mas dançou perfeitamente. Pediram bis cinco vezes.
Stanislavski, ao ver ela num sarau beneficente em "Românticos" de Rostand, chamou ela para atuar, dizendo que o lugar verdadeiro dela era o palco.
Em todos os lugares onde a mãe entrava, ela trazia a luz. Seus olhos brilhavam com bondade e doçura. Ela se vestia com elegância e austeridade. Não gostava de jóias, apesar de possuir as melhores do mundo, e as usava somente em ocasiões especiais.
Quando a tia do rei espanhol infanta Eulália veio para a Rússia, os pais deram um jantar em honra dela em seu palácio em Moscou. A infanta descreve, em suas "Memórias", a impressão causada pela mãe da seguinte forma: "O que mais me impressionou foi a confraternização em minha honra no palácio dos príncipes Yusupov. A princesa era incrivelmente bela, com aquela beleza que é o símbolo da época. Vivia entre quadros, esculturas, em luxuosos recintos em estilo bizantino. Nas janelas do palácio, a cidade sombria e as torres das igrejas. O luxo gritante ao gosto russo se unia com elegância puramente francesa. No jantar, a dona da casa estava em vestido de gala, bordado com diamantes e maravilhosas pérolas orientais. Alta, flexível, com um kokoshnik, ou, como nos dizemos, diadema, na cabeça, também com pérolas e diamantes, só este adereço sozinho é uma fortuna. Jóias incríveis, tesouros do Ocidente e do Oriente, completavam o traje. Com colares de pérolas, pesados braceletes de ouro com ornamentos bizantinos, brincos com turquesa e pérolas, e anéis que brilhavam com todas as cores do arco-íris, a princesa era parecida com uma imperatriz do passado...
Numa outra ocasião, foi o contrário. Os meus pais acompanhavam o príncipe Sergei e a princesa Elisabeth à Inglaterra, para a comemoração do aniversário da rainha Vitória. As jóias eram obrigatórias na corte inglesa. O príncipe aconselhou a minha mãe a levar os melhores diamantes. Um criado que acompanhava os meus pais foi encarregado da maleta laranja de couro. À noite, ao chegar em Windsor, a mãe, vestindo-se para o jantar, mandou a criada trazer anéis e colares. Mas a maleta laranja sumiu. No jantar, a minha mãe estava em vestido de gala, sem uma única jóia. No dia seguinte, a maleta apareceu na bagagem de uma princesa alemã, cujos pertences foram confundidos com os nossos.
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