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A cor da paixão  

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O vermelho é simples. Porque ele simplesmente e obviamente aparece no meio do que quer que seja. E é complicado porque... Para começar, porque é dificil de escolher e o post ficou muito grande.

Preto  

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Passam séculos, mudam as silhuetas, mas ela permanece: cor do poder e da sabedoria, do protesto e da solidão, do luto e da melancolia, do luxo e da sensibilidade... Enfim, já colocou-se tanto significado no preto, que ele pode expressar qualquer coisa.


Ele já foi vestido de luto e roupa monástica, pequeno vestido Chanel e casaco de couro, manto rendado e uniforme militar, fraque e roupa de ginástica, batom e meias, sapatinho e máscara. Já foi tudo. Inclua aí vestido de noiva.

Alias, se alguém não tiver nenhuma roupa preta, fique a vontade para jogar em mim uns ovos podres.

Mas não vamos olhar as calças sociais nem as blusinhas básicas, e pensar em algo mais divertido.

E começar bem de longe...

Na metade do século 16, na Europa, o preto firmou-se definitivamente como cor do luto. Por outro lado, é a cor usada pelos cientistas e sacerdotes, médicos e mercadores e, coberto de luxuosos bordados e decorado com pedras preciosas, veste os aristocratas. Roupas negras da corte hispânica, véus negros das senhoras, veludo e peles...



No século 17, as holandesas casadas usam vestidos pretos, junto com imensas golas brancas e toucas de renda.


Século 18... Estão na moda tecidos claros, mas chapéus, fitas, máscaras e capas - os famigerados acessórios da era galante - são muitas vezes pretos. E no final do século, durante a Revolução Francesa, os aristocratas da França vestem-se de negro - morre a monarquia, então vamos usar luto!



Começa o séuclo 19, que transformou o preto no uniforme masculino. Um tanto quanto sem graça, mas tem gosto para tudo.
 
 


Quem odiava mesmo o preto eram as jovens viuvas mais fúteis. Tais como Scarlett O'Hara de "E o vento levou", que enviuvou aos 17 e descobriu que só poderia usar vestidos pretos simples, e longos e "horríveis" veus negros.



Depois da morte de Albert, a rainha Vitória não tirou o luto até o final da vida (até mesmo nos casamentos dos seus filhos, comparecia em luto), e o preto reinou na Europa: luto completo - vestidos pretos sem enfeites, depois vestidos pretos mais enfeitados, depois só detalhes pretos... Todo um sistema.




Mas o preto não era só a cor do luto.



Balzac descrevia as belas parisienses de preto: "A quem ela se deve, a um anjo ou a um demônio, a elegante suavidade dos seus movimentos, que ondulam o longo manto negro, as rendas, e emanando um perfume suave?"




E até mesmo as roupas de uma viúva não precisavam ser algo lúgebre: "A visitante estava inteira de preto, da cabeça até os pequeninos sapatinhos de cetim. Pérolas negras decoravam o corpete do vestido dela e desciam, em fileiras cada vez mais dispersas, para a saia. Um veu descia em cascata até os saltos. O outro, aquele cuja finalidade era cobrir o rosto, estava jogado para trás, emoldurando de forma encantadora o rosto pálido com nuvens de luto semi-transparentes".


Agora, no que diz respeito a roupas de baixo, preto é a cor da sensualidade. Meias e lingerie pretas...

Ferro de Berlim  

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Confesso que nunca pensei que eu fosse postar imgens dessa pessoa no meu blog, mas enfim, princípios não devem atrapalhar o trabalho.


Um espécime curioso da joalheria do século 19, que deixa qualquer gótico de plantão babando de inveja.


As joias de ferro fundido começaram a ser confeccionadas por volta de 1806. Eram produzidas principalmente longas correntes. Mais tarde, começou-se a fazer colares de medalhões e outros objetos mais sofisticados.



A produção atingiu seu pico entre 1813 e 1815, quando a família real da Prússia pediu a todos os cidadãos contribuir com suas joias de ouro e de prata para custear a luta contra Napoleão. Ao doar objetos de valor, as pessoas recebiam em troca joias de ferro, principalmente broches e aneis, com inscrições como "Eu dei ouro por ferro" e "Pelo bem da nossa pátria".


Até então, joias de ferro eram usadas durante o luto (por causa da sua cor escura) e eram baratas demais para atrair os mais ricos, mas subitamente se tornaram símbolo do patriotismo e lealdade. E, além disso, as pessoas perceberam que estas joias eram bonitas, afinal. O ferro ficou popular de um dia para o outro.


Especialmente durante o período napoleônico, o estilo principal dessas joias era o Neo-clássico, incorporando réplicas de camafeus.



Mais tarde, se tornaram uma miniatura do revival Gótico, com inspirações nas catedrais medievais e em elementos da natureza, tais como folhas e borboletas.



Joias de ferro de Berlim têm uma aparência muito delicada, mas sempre parecem escuras e sombrias: eram cobertas de verniz negro para evitar a corrosão do ferro. Alguns exemplares eram decorados com ouro e prata.

Roxo  

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- Eu a imagino de lilás no baile.
- Porque justamente de lilás? - perguntou Anna, sorrindo.
"Anna Karenina"

Cor da sabedoria, criação, santidade, tristeza, arrependimento... A lista é grande, o roxo e seus tons acumularam inúmeras interpretações com o passar do tempo.

Roupas roxas têm uma longa história, mas essa cor, tal como o púrpura real, tinha um significado especial. Vestes roxas dos bispos, por exemplo...


No século 18, a cor não era tão popular assim. Mas ainda assim, havia homens e mulheres que usavam. E ficava bem.




Durante o Império, dava-se preferência a tons mais claros, como o lilás. Ou a fitas e casaquinhos roxos.





O roxo era, entre outros, a cor do luto. Obviamente, a cor principal era o preto, mas durante o semi-luto, usava-se também cinza e tons de roxo - lilás, violeta e outros. No final do período de luto, ou quando vestia-se luto por um parente distante, somente os acessórios eram roxos: cintos, laços, rendas.



Vejamos o retrato da condessa de Lamsdorf, pintado por Winterhalter. Quem sabe, talvez as fitas roxas sobre o vestido lilás são testemunhas de que ela estivesse de luto por alguém.




Mas, obviamente, este não era o único uso do roxo. Imperatriz Eugenie, conhecida pela sua beleza - e pelos seus vestidos luxuosos - gostava do roxo, por gostar.




Personagens literárias também usavam roxo.

Quando Jane Eyre vai se casar com Rochester, aquele escolhe "uma luxuosa seda cor de ametista" para ela, e Jane mal consegue convencê-lo a não comprar o tecido: ela prefere cores mais modestas.




Outra proprietária de um vestido roxo é Scarlett O'Hara.




Em "Anna Karenina", Anna vestiu-se de preto para o baile, mas há roxo e lilás de sobra no romance. Fitas roxas nos cabelos. O vestido lilás escuro que Kitty usa nos seus primeiros meses de casada. Vestidos, véus e chapéus lilás...


Tá bom que na segunda metade do século 19, o roxo era doença. Em 1859, os humoristas até mesmo descreviam a "febre lilás", cujos sintomas são laços roxos, e que poderia levar a pessoa a vestir-se de cabeça aos pés de roxo. Aos pés, literalmente. Um sapatinho roxo para combinar é indispensável.




A cor continuou na moda no início do século 20.

 

E não foi esquecida mais tarde: anos 30, anos 50... Talvez só na década de 70 que o roxo não apareceu muito.

 

Em 2005, Dita von Teese casou-se com Marilyn Manson. Um vestido branco tradicional talvez não combinaria muito com a ocasião, mas o vestido roxo de Vivienne Westwood...



O roxo também não deixa de aparecer no cinema. Entre personagens que se vestem de roxo, podemos citar Padmé Amidala, que tem vários vestidos roxos em seu guarda-roupa.


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