A cor da paixão
Posted by Moriel in 1600, 1700, 1800, 1810, 1820, 1830, 1840, 1850, 1860, 1870, 1880, 1890, 1900, 1910, 1920, 1930, 1940, homens, moda, mulheres
Preto
Posted by Moriel in 1500, 1600, 1700, 1800, 1810, 1840, 1850, 1860, 1870, 1880, 1890, 1910, moda, mulheres
Passam séculos, mudam as silhuetas, mas ela permanece: cor do poder e da sabedoria, do protesto e da solidão, do luto e da melancolia, do luxo e da sensibilidade... Enfim, já colocou-se tanto significado no preto, que ele pode expressar qualquer coisa.
Ele já foi vestido de luto e roupa monástica, pequeno vestido Chanel e casaco de couro, manto rendado e uniforme militar, fraque e roupa de ginástica, batom e meias, sapatinho e máscara. Já foi tudo. Inclua aí vestido de noiva.
Alias, se alguém não tiver nenhuma roupa preta, fique a vontade para jogar em mim uns ovos podres.
Mas não vamos olhar as calças sociais nem as blusinhas básicas, e pensar em algo mais divertido.
E começar bem de longe...
Na metade do século 16, na Europa, o preto firmou-se definitivamente como cor do luto. Por outro lado, é a cor usada pelos cientistas e sacerdotes, médicos e mercadores e, coberto de luxuosos bordados e decorado com pedras preciosas, veste os aristocratas. Roupas negras da corte hispânica, véus negros das senhoras, veludo e peles...
No século 17, as holandesas casadas usam vestidos pretos, junto com imensas golas brancas e toucas de renda.
Século 18... Estão na moda tecidos claros, mas chapéus, fitas, máscaras e capas - os famigerados acessórios da era galante - são muitas vezes pretos. E no final do século, durante a Revolução Francesa, os aristocratas da França vestem-se de negro - morre a monarquia, então vamos usar luto!
Começa o séuclo 19, que transformou o preto no uniforme masculino. Um tanto quanto sem graça, mas tem gosto para tudo.
Quem odiava mesmo o preto eram as jovens viuvas mais fúteis. Tais como Scarlett O'Hara de "E o vento levou", que enviuvou aos 17 e descobriu que só poderia usar vestidos pretos simples, e longos e "horríveis" veus negros.
Depois da morte de Albert, a rainha Vitória não tirou o luto até o final da vida (até mesmo nos casamentos dos seus filhos, comparecia em luto), e o preto reinou na Europa: luto completo - vestidos pretos sem enfeites, depois vestidos pretos mais enfeitados, depois só detalhes pretos... Todo um sistema.
Mas o preto não era só a cor do luto.
Balzac descrevia as belas parisienses de preto: "A quem ela se deve, a um anjo ou a um demônio, a elegante suavidade dos seus movimentos, que ondulam o longo manto negro, as rendas, e emanando um perfume suave?"
E até mesmo as roupas de uma viúva não precisavam ser algo lúgebre: "A visitante estava inteira de preto, da cabeça até os pequeninos sapatinhos de cetim. Pérolas negras decoravam o corpete do vestido dela e desciam, em fileiras cada vez mais dispersas, para a saia. Um veu descia em cascata até os saltos. O outro, aquele cuja finalidade era cobrir o rosto, estava jogado para trás, emoldurando de forma encantadora o rosto pálido com nuvens de luto semi-transparentes".
Agora, no que diz respeito a roupas de baixo, preto é a cor da sensualidade. Meias e lingerie pretas...
Ferro de Berlim
Posted by Moriel in 1800, 1810, 1820, 1830, 1840, 1850, 1860, jewels, neo-classico, neo-gótico
Confesso que nunca pensei que eu fosse postar imgens dessa pessoa no meu blog, mas enfim, princípios não devem atrapalhar o trabalho.
Um espécime curioso da joalheria do século 19, que deixa qualquer gótico de plantão babando de inveja.
As joias de ferro fundido começaram a ser confeccionadas por volta de 1806. Eram produzidas principalmente longas correntes. Mais tarde, começou-se a fazer colares de medalhões e outros objetos mais sofisticados.
A produção atingiu seu pico entre 1813 e 1815, quando a família real da Prússia pediu a todos os cidadãos contribuir com suas joias de ouro e de prata para custear a luta contra Napoleão. Ao doar objetos de valor, as pessoas recebiam em troca joias de ferro, principalmente broches e aneis, com inscrições como "Eu dei ouro por ferro" e "Pelo bem da nossa pátria".
Até então, joias de ferro eram usadas durante o luto (por causa da sua cor escura) e eram baratas demais para atrair os mais ricos, mas subitamente se tornaram símbolo do patriotismo e lealdade. E, além disso, as pessoas perceberam que estas joias eram bonitas, afinal. O ferro ficou popular de um dia para o outro.
Especialmente durante o período napoleônico, o estilo principal dessas joias era o Neo-clássico, incorporando réplicas de camafeus.
Mais tarde, se tornaram uma miniatura do revival Gótico, com inspirações nas catedrais medievais e em elementos da natureza, tais como folhas e borboletas.
Joias de ferro de Berlim têm uma aparência muito delicada, mas sempre parecem escuras e sombrias: eram cobertas de verniz negro para evitar a corrosão do ferro. Alguns exemplares eram decorados com ouro e prata.
Roxo
Posted by Moriel in 1700, 1800, 1810, 1820, 1830, 1840, 1850, 1860, 1870, 1880, 1890, 1900, 1910, 1920, 1930, homens, moda, mulheres
- Eu a imagino de lilás no baile.
- Porque justamente de lilás? - perguntou Anna, sorrindo.
"Anna Karenina"
Cor da sabedoria, criação, santidade, tristeza, arrependimento... A lista é grande, o roxo e seus tons acumularam inúmeras interpretações com o passar do tempo.
Roupas roxas têm uma longa história, mas essa cor, tal como o púrpura real, tinha um significado especial. Vestes roxas dos bispos, por exemplo...
No século 18, a cor não era tão popular assim. Mas ainda assim, havia homens e mulheres que usavam. E ficava bem.
Durante o Império, dava-se preferência a tons mais claros, como o lilás. Ou a fitas e casaquinhos roxos.
O roxo era, entre outros, a cor do luto. Obviamente, a cor principal era o preto, mas durante o semi-luto, usava-se também cinza e tons de roxo - lilás, violeta e outros. No final do período de luto, ou quando vestia-se luto por um parente distante, somente os acessórios eram roxos: cintos, laços, rendas.
Vejamos o retrato da condessa de Lamsdorf, pintado por Winterhalter. Quem sabe, talvez as fitas roxas sobre o vestido lilás são testemunhas de que ela estivesse de luto por alguém.
Mas, obviamente, este não era o único uso do roxo. Imperatriz Eugenie, conhecida pela sua beleza - e pelos seus vestidos luxuosos - gostava do roxo, por gostar.
Personagens literárias também usavam roxo.
Quando Jane Eyre vai se casar com Rochester, aquele escolhe "uma luxuosa seda cor de ametista" para ela, e Jane mal consegue convencê-lo a não comprar o tecido: ela prefere cores mais modestas.
Outra proprietária de um vestido roxo é Scarlett O'Hara.
Em "Anna Karenina", Anna vestiu-se de preto para o baile, mas há roxo e lilás de sobra no romance. Fitas roxas nos cabelos. O vestido lilás escuro que Kitty usa nos seus primeiros meses de casada. Vestidos, véus e chapéus lilás...
Tá bom que na segunda metade do século 19, o roxo era doença. Em 1859, os humoristas até mesmo descreviam a "febre lilás", cujos sintomas são laços roxos, e que poderia levar a pessoa a vestir-se de cabeça aos pés de roxo. Aos pés, literalmente. Um sapatinho roxo para combinar é indispensável.
A cor continuou na moda no início do século 20.
E não foi esquecida mais tarde: anos 30, anos 50... Talvez só na década de 70 que o roxo não apareceu muito.
Em 2005, Dita von Teese casou-se com Marilyn Manson. Um vestido branco tradicional talvez não combinaria muito com a ocasião, mas o vestido roxo de Vivienne Westwood...
O roxo também não deixa de aparecer no cinema. Entre personagens que se vestem de roxo, podemos citar Padmé Amidala, que tem vários vestidos roxos em seu guarda-roupa.
História
- julho 2013 (1)
- junho 2013 (2)
- outubro 2012 (3)
- setembro 2012 (4)
- agosto 2012 (1)
- julho 2012 (5)
- junho 2012 (3)
- maio 2012 (10)
- abril 2012 (29)
- março 2012 (2)
- janeiro 2012 (5)
- dezembro 2011 (9)
- novembro 2011 (15)
- outubro 2011 (1)
- junho 2011 (1)
- maio 2011 (9)
- abril 2011 (9)
- março 2011 (21)
- janeiro 2011 (4)
- dezembro 2010 (15)
- novembro 2010 (9)
- outubro 2010 (22)
- setembro 2010 (13)