Uma das personagens de "A Era da Inocência" questiona o heroi: "A moda deve ser considerada seriamente?", e recebe a resposta: "Somente por aqueles que não tem nada mais sério para cosiderar".
Alias, a palavra moda figura, no romance que inspirou o filme, com frequência alarmante, e os responsáveis pelos figurinos levaram o assunto a sério. O resultado é quase impecável.
Se algum conhecedor achar que uma das personagens usa um vestido do ano anterior, bem... No início da Era Vitoriana, era considerado vulgar vestir-se à última moda, e essa ideia manteve-se até quase o final do século. Nos Estados Unidos, onde a ação se passa, o costume era deixar os vestidos parisienses guardados por um ou dois anos, para usá-los depois.
Este mundinho é um tanto quanto perturbado pela chegada da bela - e de reputação um tanto escandalosa - condessa Elen Olenska.
Continuando a nossa excursão cinematográfica, vamos avançar um pouco, até o início do século 19.
Os fãs do "Orgulho e Preconceito" de 2005 me perdoem, mas não vamos mostrar mais Keira Knightley. Não que eu não goste dela, ela tem um jeitinho legal para personagens de época, mas infelizmente o filme tomou excessivas liberdades com o vestuário. Portanto, vamos falar da minissérie da BBC de 1995.
Não se chegou a usar tecidos da época claro, por ser uma matéria literalmente delicada demais. Mas foram produzidos tecidos semelhantes com estâmpas adequadas.
As cinco irmãs Benneth, de uma família não muito rica, vestem vestidos claros simples, enquanto as visitantes vindas de Londres estão vestidas de seda, e enfeitaram seus cabelos com penas: a última novidade da moda.
Não posso deixar de mencionar, também, as roupas masculinas (um grande "curti" para o Mr. Darcy, eles conseguiram fazer um figurino que seja historicamente fiel e não pareça ridículo).
Ver um filme não é uma bela oportunidade para ver como se vestiam as pessoas em uma determinada época?
Nem sempre. Afinal, fidelidade à história definitivamente não é o forte do cinema. Muitas vezes, topamos com roupas maravilhosas, mas nada a ver. Em outros casos, segue-se somente o estilo geral. Em outros... Estes outros são pouco numerosos e merecem destaque.
A Duquesa
Um filme britânico de 2008, sobre a vida de lady Georgiana Spencer, que se torna Duquesa de Devonshire, uma das mulheres mais belas e inteligentes da segunda metade do século 18. Além disso, brilhava na sociedade em grande parte devido a sua escandalosa reputação, casamento "a trois", envolvimento na política, jogantina...
Mas enfim, não foi a toa que o filma ganhou tantos prémios de melhor figurino. E bote um merecido nisso pela fidelidade histórica. Tudo bem que o fato de Georgiana ter sido muito retratada por pintores da época facilitou bastante, e algumas roupas do filme foram literalmente copiadas de retratos dela.
A transição da moda de então, de vestidos sobrecarregados de babados, rufos, rendas, laços a trajes mais simples foi refletida com perfeição no filme. Parece até que as roupas fugiram de um museu para fazer uma aparição no filme.
Por exemplo, a "robe à la Française", de seda cor de creme - Georgiana casou-se em 1774 - está perfeitamente de acordo com a moda da corte de então. Roupas mais simples começaram a tomar o lugar dos vestidos elaborados, mas a moda da corte é mais conservativa.
E, obviamente, eu não poderia deixar de mencionar o vestido abaixo:
Basicamente um traje de montaria, uma elegante alusão ao partido whig (cujas cores são azul e laranja). Inspirado por um dos trajes de montaria da época, que alias aparece em alguns dos inúmeros posts que fiz sobre esse assunto.
Enquanto o meu pc não volta da oficina, mais youtubices, ligeiramente inspiradas por uma comunicação com uma pessoa.
Portanto, vamos a Opera, um dos grandes divertimentos das classes superiores da Era Vitoriana, conhecer algumas das divas.
De algumas, só sabemos o nome. De outras, temos retratos. Algumas deixaram gravações.
Primeira, merecidamente, Adelina Patti (1843 - 1919).
Deixou algumas gravações. Infelizmente, tinha mais de 60 anos no início do século 19, mas honestamente, pouquissimas pessoas podem se gabar de uma voz dessas mesmo aos 20.
Emma Albani (1847 - 1930). Mais uma rival de Patti, também deixou gravações.
Lillian Nordica (1857 - 1914).
Lilli Lehmann (1848 - 1929).
Felia Litvinne (1860 - 1936).
Emma Calvé (1858 - 1942).
Nellie Melba (1861 - 1931).
Marcella Sembrich (1858 - 1935).
Alice Verlet (1873 - 1934).
Antonina Nezhdanova (1873 - 1950).
Eu obviamente não deixaria, mesmo ameaçada de pena de morte, de adicionar alguma gravação do início do século 20 de Holle Rache. Mas. A pessoa chata desativou o recurso. Enfim, vejam aqui.
Em suma, creio que este post está confuso e grande demais. Mas enfim, algumas mulheres charmosas, e belas músicas e vozes.
Finalmente, para quem quer se aprofundar, recomendo esse livro, em inglês.
Bem, neste caso, vale mais a pena ver uma vez com seus próprios olhos que ler uma descrição.
Uma coleção de trechos de filmes e vídeos de grupos de reconstrução.
Portanto, começaremos com as danças baroccas.
Um pouco mais: aqui
Aqui, filme, adivinhe qual.
Bem, Regência. Até pensei em outros vídeos para destacar, mas não foi possível. Orgulho e Preconceito.
Um cotillion, uma dança ligeiramente mais animada para quem estiver se perguntando o que tinha de divertido nas danças de então.
Bem, agora vamos a era vitoriana em si.
Quadrilha. É daí que vêm as quadrilhas de festa junina.
Valsa de cinco passos.
Mazurka, mais uma valsa, mais uma quadrilha, mais uma mazurka, e, finalmente, polonaise.
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