Lamanova - depois de 1917  

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Mais algumas roupas.


Uma coisa engraçada é, às vezes, chamarem Lamanova de Chanel russa. Sem querer ser chata, mas em função das datas, creio que o mais acertado seria chamar Chanel de Lamanova francesa. Sem desmerecer Coco, a comparação somente honra as duas primeiras damas =)


Lamanova - até 1917  

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Alguns vestidos feitos por Lamanova.






Muitas imagens, e atente para os detalhes.










Nadezhda Lamanova  

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Lamanova

Nadezhda Lamanova nasceu em 14 de dezembro de 1861. Seu pai era um nobre empobrecido, que havia seguido carreira militar, e tinha a patente de coronel quando a sua primeira filha nasceu.

A família estava a beira da falência (pois o irmão mais velho do pai de Nadezhda havia deixado dividas imensas), e Nadezhda, então de 28 anos, decidiu viajar a Moscou e ganhar seu próprio sustento.

Tendo estudado costura, em 1879, ela começa a trabalhar, cortando o tecido em uma oficina bastante conceituada. E bem sucedida, fazendo moldes perfeitos para as clientes. As socialites comentavam entre si: "Agora, só fazemos vestidos ali - tem uma moca nova la, mademoiselle Lamanova, ela vai te tiranizar durante as provas, mas o vestido vai ficar como se tivessem trazido de Paris".

Nesta época, ela se casa com Andrei Kayutov, jovem advogado e ator amador, que a introduz a sociedade teatral.

Atriz Maria Yermolova, uma das mais renomadas atrizes russas, retratada com um vestido feito pela sua amiga e vizinha.

Em 1885, Lamanova começa a sua própria oficina, e em poucos anos, ganha popularidade. A abordagem dela era a de uma artista: passava muito tempo estudando a cliente, e depois envolvia-a em tecido, como se fosse pintura. Alfinetava o tecido, ajustando-o ao corpo da modelo, arrumando as dobras, para depois dizer a cliente, toda espetada de alfinetes: "Pode tirar isso, mas com cuidado, o molde esta pronto!" As senhoras imploravam: "Costure você mesma, por favor".

Lamanova não sabia costurar, dizia: "O arquiteto não bota a mão na massa, a casa e construída por operários, e não serei eu que vou costurar para você, serão as minhas ajudantes". Estas eram mais de 20.

Contudo, Nadezhda continuou estudando - já em Paris - com os costureiros mais famosos do seu tempo. Mais tarde, tornou-se amiga de Poiret (um dos destaques da moda parisiense). Mas não seguia as cegas os moldes franceses, que reinavam na Rússia ha mais de um seculo. Tendo grande interesse em roupas folclóricas, e colaborações com vários artistas de renome da época, gerava seu próprio estilo.

Constante aperfeiçoamento e talento natural fizeram a fama de Lamanova crescer de tal forma que nos anos 90 ela já era fornecedora oficial de vestidos da corte imperial. Neste período, Lamanova cria uma serie de vestidos encantadores, verdadeiras obras de arte.

Em 1901, ela começa a colaborar com o teatro.

 Retrato de uma nobre russa... Adivinhe quem fez o vestido?

No outubro de 1917, Lamanova estava com 55 anos. Era de se esperar que a dona de uma oficina tao popular entre a aristocracia seria arruinada, mas a revolução somente mudou as suas prioridades. Ela recusou varias propostas de se mudar para os Estados Unidos ou para a Franca, e permaneceu em Moscou.

Já em 1919, organiza uma oficina de roupas modernas, colaborando com varias instituições que ensinavam corte e costura, com a industria e com o teatro. Na falta de tecidos de luxo, fazia vestidos de toalhas de banho, e casacos de cobertores.

Mesmo os dois meses que passou na cadeia - afinal, lembraram-se da sua ascendência - não a desanimaram.

De 1919 a 1924, Lamanova desenvolve vários modelos populares, e ao mesmo tempo trabalha com roupas inspiradas em trajes nacionais. Este trabalho culmina com o premio na Exposição de Paris em 1925. O estilo russo era bastante popular na época, devido a invasão de imigrantes que fugiam da revolução, e os vestidos de Lamanova disputavam de igual para igual com as mais renomadas casas francesas.

Nos anos 30, Lamanova colabora com vários teatros. Alem disso, trabalha com os figurinos de inúmeros filmes...

Continuou trabalhando ate a morte, em 15 de outubro de 1941.

Pouco antes, uma jovem atriz iria representar em uma peca de época, e seus vestidos seriam feitos por Lamanova...

E eis que Lamanova entrou. Costas retas, um conjunto elegante de cor clara, saia mostrando as meias de seda e os saltos altos. Anéis nos dedos bem cuidados. Afinal das contas, ela era mesmo um gênio, para que o governo socialista aguentasse-a por tantos anos.

Roupas históricas no cinema - 1870  

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Uma das personagens de "A Era da Inocência" questiona o heroi: "A moda deve ser considerada seriamente?", e recebe a resposta: "Somente por aqueles que não tem nada mais sério para cosiderar".

Alias, a palavra moda figura, no romance que inspirou o filme, com frequência alarmante, e os responsáveis pelos figurinos levaram o assunto a sério. O resultado é quase impecável.

Se algum conhecedor achar que uma das personagens usa um vestido do ano anterior, bem... No início da Era Vitoriana, era considerado vulgar vestir-se à última moda, e essa ideia manteve-se até quase o final do século. Nos Estados Unidos, onde a ação se passa, o costume era deixar os vestidos parisienses guardados por um ou dois anos, para usá-los depois.

Este mundinho é um tanto quanto perturbado pela chegada da bela - e de reputação um tanto escandalosa - condessa Elen Olenska.

Vestido de noiva, cheio de babados e gase, bem ao gosto da época.

Mocinhas convenientemente vestidas de cores claras.

Roupas esportivas, sim.

E não é invensão...

Última moda parisiense, sem descansar devidamente no baú por um ano. Que escândalo!

Roupas históricas no cinema - 1810  

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Continuando a nossa excursão cinematográfica, vamos avançar um pouco, até o início do século 19.

Os fãs do "Orgulho e Preconceito" de 2005 me perdoem, mas não vamos mostrar mais Keira Knightley. Não que eu não goste dela, ela tem um jeitinho legal para personagens de época, mas infelizmente o filme tomou excessivas liberdades com o vestuário. Portanto, vamos falar da minissérie da BBC de 1995.

Não se chegou a usar tecidos da época claro, por ser uma matéria literalmente delicada demais. Mas foram produzidos tecidos semelhantes com estâmpas adequadas.

As cinco irmãs Benneth, de uma família não muito rica, vestem vestidos claros simples, enquanto as visitantes vindas de Londres estão vestidas de seda, e enfeitaram seus cabelos com penas: a última novidade da moda.


Não posso deixar de mencionar, também, as roupas masculinas (um grande "curti" para o Mr. Darcy, eles conseguiram fazer um figurino que seja historicamente fiel e não pareça ridículo).

Roupas históricas no cinema - 1770  

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Ver um filme não é uma bela oportunidade para ver como se vestiam as pessoas em uma determinada época?

Nem sempre. Afinal, fidelidade à história definitivamente não é o forte do cinema. Muitas vezes, topamos com roupas maravilhosas, mas nada a ver. Em outros casos, segue-se somente o estilo geral. Em outros... Estes outros são pouco numerosos e merecem destaque.

A Duquesa

Um filme britânico de 2008, sobre a vida de lady Georgiana Spencer, que se torna Duquesa de Devonshire, uma das mulheres mais belas e inteligentes da segunda metade do século 18. Além disso, brilhava na sociedade em grande parte devido a sua escandalosa reputação, casamento "a trois", envolvimento na política, jogantina...

Mas enfim, não foi a toa que o filma ganhou tantos prémios de melhor figurino. E bote um merecido nisso pela fidelidade histórica. Tudo bem que o fato de Georgiana ter sido muito retratada por pintores da época facilitou bastante, e algumas roupas do filme foram literalmente copiadas de retratos dela.

Georgiana, por Gainsborough...

... e Keira Knightley, no filme.

A transição da moda de então, de vestidos sobrecarregados de babados, rufos, rendas, laços a trajes mais simples foi refletida com perfeição no filme. Parece até que as roupas fugiram de um museu para fazer uma aparição no filme.

Por exemplo, a "robe à la Française", de seda cor de creme - Georgiana casou-se em 1774 - está perfeitamente de acordo com a moda da corte de então. Roupas mais simples começaram a tomar o lugar dos vestidos elaborados, mas a moda da corte é mais conservativa.

No filme...

... no Metropolitan Museum...

... e no Victoria and Albert.

E, obviamente, eu não poderia deixar de mencionar o vestido abaixo:







Basicamente um traje de montaria, uma elegante alusão ao partido whig (cujas cores são azul e laranja). Inspirado por um dos trajes de montaria da época, que alias aparece em alguns dos inúmeros posts que fiz sobre esse assunto.

Bailes Vitorianos: como se portar em um?  

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Se não dispõe de meios para dar um baile em grande estilo, nem tente.

Tendo decidido dar um baile, marcado a data e checado a conta bancária, uma importante questão é quem convidar (e em que número). Deve prestar atenção ao tamanho das salas: deixando uma folga por conta daqueles que poderão não aceitar o seu convite, não poderá mais gente que pode acomodar confortavelmente, deixando uma área livre para as próprias danças.

De modo geral, quanto mais convidados, mais brilhante o seu baile, e quanto menos, mais divertido.

Escolha os convidados também de acordo com as suas habilidades, já que o objetivo de um baile é, antes de tudo, dançar.

Os convites devem ser enviados pelo menos 7-10 dias antes da data marcada, e respondidos em uma semana, aceitando ou não o convite. Dessa forma, os convidados poderão conferir a agenda e preparar roupas, enquanto os anfitriões saberão o número de pessoas que comparecerão com antecedência.

Não convide pessoas que opõem-se a bailes e não gostam de dançar.

Varie as suas roupas. Se você vier sempre com o mesmo traje, as más línguas irão se entreter bastante.

Escolha a sua toilette com cuidado. Não corra atrás das últimas novidades da moda, e não se intimide em adaptar a moda ao seu gosto e aparência.

Não precisa chegar exatamente na hora marcada. É até mesmo recomendável o atraso de uma hora.

Mulheres solteiras devem vir acompanhadas, seja pela mãe ou por alguma outra pessoa das suas relações. As casadas também devem vir acompanhadas. Na verdade, uma senhora não pode ser deixada só num baile.

Uma senhora não pode recusar o convite a dança de um cavalheiro, a menos que já tenha aceitado um outro convite. Ou pelo menos inventar uma muito boa desculpa para tanto. Contudo, um cavalheiro certamente ficará muito ofendido e magoado se, ao ser recusado sob o pretexto de uma dor de cabeça, imediatamente depois disso ver a senhora em questão dançando com uma outra pessoa.

Ao convidar uma senhora para dançar, o cavalheiro deve antes requisitar a honra de dançar com ela do que o prazer.

As senhoras não podem deixar a sala de baile sozinhas. As casadas devem sair com um grupo de mulheres casadas, e as solteiras, com a mãe ou uma senhora de confiança desta.

Evite falar demais, e não sussurre no ouvido da pessoa com quem está dançando.

O anfitrião deve garantir que todas as senhoras que queiram dançar dancem, providenciando, de forma discreta, cavalheiros para aquelas que não tiveram a sorte de serem convidadas.

As senhoras não devem dançar demais, permitindo que as menos sortudas também dancem, ou mesmo recomendando discretamente aquelas para cavalheiros de seu conhecimento.

Não dance a menos que saiba toleravelmente bem os passos. Caso tenha que dançar, siga os passos dos outros pares. Evite chamar a atenção com movimentos desengonçados.

Comporte-se com reserva e educação.

Os cavalheiros não devem sentar-se ao lado de senhoras que não conheçam.

Qualquer apresentação, em bailes públicos, com o mero propósito de uma dança, não permite ao cavalheiro se considerar um conhecido da senhora em questão mais tarde. Ao encontrá-la mais tarde, somente a cumprimente se ela o cumprimente primeiro. Contudo, se um sujeito convidar uma senhora sem ao menos ser apresentado, deve ser recusado.

Parta sem alarde, para fazer uma visita de agradecimento aos anfitriões mais tarde.

Quando um cavalheiro acompanha uma senhora até a casa dela depois do baile, ela não deve convidá-lo a entrar, e se ela o fizer, ele não deve aceitar, mas poderá fazer-lhe uma visita no dia seguinte.

Cantoras  

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Enquanto o meu pc não volta da oficina, mais youtubices, ligeiramente inspiradas por uma comunicação com uma pessoa.

Portanto, vamos a Opera, um dos grandes divertimentos das classes superiores da Era Vitoriana, conhecer algumas das divas.

De algumas, só sabemos o nome. De outras, temos retratos. Algumas deixaram gravações.

Primeira, merecidamente, Adelina Patti (1843 - 1919).

Patti, 1860.

Deixou algumas gravações. Infelizmente, tinha mais de 60 anos no início do século 19, mas honestamente, pouquissimas pessoas podem se gabar de uma voz dessas mesmo aos 20.




Emma Albani (1847 - 1930). Mais uma rival de Patti, também deixou gravações.





Lillian Nordica (1857 - 1914).



Lilli Lehmann (1848 - 1929).





Felia Litvinne (1860 - 1936).




Emma Calvé (1858 - 1942).




Nellie Melba (1861 - 1931).




Marcella Sembrich (1858 - 1935).




Alice Verlet (1873 - 1934).




Antonina Nezhdanova (1873 - 1950).


Eu obviamente não deixaria, mesmo ameaçada de pena de morte, de adicionar alguma gravação do início do século 20 de Holle Rache. Mas. A pessoa chata desativou o recurso. Enfim, vejam aqui.

Em suma, creio que este post está confuso e grande demais. Mas enfim, algumas mulheres charmosas, e belas músicas e vozes.


Finalmente, para quem quer se aprofundar, recomendo esse livro, em inglês.

Danças na Era Vitoriana e antes  

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Bem, neste caso, vale mais a pena ver uma vez com seus próprios olhos que ler uma descrição.

Uma coleção de trechos de filmes e vídeos de grupos de reconstrução.

Portanto, começaremos com as danças baroccas.

Um pouco mais: aqui
Aqui, filme, adivinhe qual.

Bem, Regência. Até pensei em outros vídeos para destacar, mas não foi possível. Orgulho e Preconceito.

Um cotillion, uma dança ligeiramente mais animada para quem estiver se perguntando o que tinha de divertido nas danças de então.

Bem, agora vamos a era vitoriana em si.

Quadrilha. É daí que vêm as quadrilhas de festa junina.


Valsa de cinco passos.

Mazurka, mais uma valsa, mais uma quadrilha, mais uma mazurka, e, finalmente, polonaise.









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