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Art Nouveau: Morcegos  

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Porque morcegos são fofinhos e eu não posto coisas fofinhas faz tempo.Art Nouveau, vasos, lâmpadas e jóias. Todos com morcegos em comum.

A cor da paixão  

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O vermelho é simples. Porque ele simplesmente e obviamente aparece no meio do que quer que seja. E é complicado porque... Para começar, porque é dificil de escolher e o post ficou muito grande.

1920, Japão  

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Pneumonia e quatro provas em dois dias tiram qualquer um do sério. Mas enfim, não morri e continuarei enchendo o saco das pessoas por muito tempo ainda. Para festejar isso, ilustração de revista de moda japonesa, 1920 ou 1930.

René Lalique  

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René Lalique nasceu em 1860, no interior frances. Apesar de a sua família ter se mudado para Paris pouco tempo depois, sempre viajavam para o campo nas férias. Estas viagens impressionaram profundamente o menino, e as influências naturalisticas marcaram profundamente a sua obra anos mais tarde.



Aos 12, começou a aprender desenho, contudo, com a morte do pai, dois anos mais tarde, teve que começar a trabalhar como aprendiz de um joalheiro. Continuou estudando à noite.


Algum tempo depois, viajou para a Inglaterra, onde aperfeiçoou as suas habilidades artísticas, e deu maior desenvolvimento à sua abordagem naturalista da arte. Ao voltar a frança, trabalhou como free-lancer, criando joias para Cartier e Boucheron, entre outros.



Em 1885, abriu seu próprio negócio, confeccionando suas próprias joias e também objetos de vidro. Em cinco anos, tornou-se, reconhecidamente, um dos maiores designers de joias de Art Noveau, tornando-se um dos artistas mais famosos da área. O nome de Lalique passou a ser símbolo de criatividade, beleza e qualidade.


Alias, alguns joalheiros famosos não queriam trabalhar com Lalique, pois temiam que suas joias não caissem nas graças dos clientes mais ricos. Suas borboletas, libélulas e folhas eram boêmias demais. Os ricos queriam joias luxuosas com gemas grandes, enquanto Lalique oferecia formas inovadoras e materiais diferentes. Hoje, isso não surpreende, na época, era nonsense.

E tem mais...

Roxo  

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- Eu a imagino de lilás no baile.
- Porque justamente de lilás? - perguntou Anna, sorrindo.
"Anna Karenina"

Cor da sabedoria, criação, santidade, tristeza, arrependimento... A lista é grande, o roxo e seus tons acumularam inúmeras interpretações com o passar do tempo.

Roupas roxas têm uma longa história, mas essa cor, tal como o púrpura real, tinha um significado especial. Vestes roxas dos bispos, por exemplo...


No século 18, a cor não era tão popular assim. Mas ainda assim, havia homens e mulheres que usavam. E ficava bem.




Durante o Império, dava-se preferência a tons mais claros, como o lilás. Ou a fitas e casaquinhos roxos.





O roxo era, entre outros, a cor do luto. Obviamente, a cor principal era o preto, mas durante o semi-luto, usava-se também cinza e tons de roxo - lilás, violeta e outros. No final do período de luto, ou quando vestia-se luto por um parente distante, somente os acessórios eram roxos: cintos, laços, rendas.



Vejamos o retrato da condessa de Lamsdorf, pintado por Winterhalter. Quem sabe, talvez as fitas roxas sobre o vestido lilás são testemunhas de que ela estivesse de luto por alguém.




Mas, obviamente, este não era o único uso do roxo. Imperatriz Eugenie, conhecida pela sua beleza - e pelos seus vestidos luxuosos - gostava do roxo, por gostar.




Personagens literárias também usavam roxo.

Quando Jane Eyre vai se casar com Rochester, aquele escolhe "uma luxuosa seda cor de ametista" para ela, e Jane mal consegue convencê-lo a não comprar o tecido: ela prefere cores mais modestas.




Outra proprietária de um vestido roxo é Scarlett O'Hara.




Em "Anna Karenina", Anna vestiu-se de preto para o baile, mas há roxo e lilás de sobra no romance. Fitas roxas nos cabelos. O vestido lilás escuro que Kitty usa nos seus primeiros meses de casada. Vestidos, véus e chapéus lilás...


Tá bom que na segunda metade do século 19, o roxo era doença. Em 1859, os humoristas até mesmo descreviam a "febre lilás", cujos sintomas são laços roxos, e que poderia levar a pessoa a vestir-se de cabeça aos pés de roxo. Aos pés, literalmente. Um sapatinho roxo para combinar é indispensável.




A cor continuou na moda no início do século 20.

 

E não foi esquecida mais tarde: anos 30, anos 50... Talvez só na década de 70 que o roxo não apareceu muito.

 

Em 2005, Dita von Teese casou-se com Marilyn Manson. Um vestido branco tradicional talvez não combinaria muito com a ocasião, mas o vestido roxo de Vivienne Westwood...



O roxo também não deixa de aparecer no cinema. Entre personagens que se vestem de roxo, podemos citar Padmé Amidala, que tem vários vestidos roxos em seu guarda-roupa.


Azul Escuro  

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Como o azul estava ganhando hoje de manhã... Enfim, continuem votando, vamos ver sobre que cor iremos falar na sexta feira que vem... E hoje: AZUL!

É a cor do uniforme. Escolar. Das aeromoças. Da Marinha. Cor boa para um terno: severa, mas, convenhamos, melhor que o preto. É a cor da praticidade - e da calça jeans. Enfim, uma cor que vemos todo dia, e que todo mundo tem no armário...

Será que sempre foi assim?

Em algumas culturas, até hoje, a rosa azul significa mistério ou algo inatingível. Traz ao dono a juventude e a realização de desejos impossíveis. As filhas dos reis de contos de fadas prometem casar-se com aquele que lhes trouxer uma rosa azul.


 Temos também o pássaro azul da felicidade, e o pássaro azul da esperança em vários legendariums.

Rosas vermelhas e rosas brancas
Colhi para o deleite do meu amor.
Ela não gostou de nenhum dos meus buquês -
Pediu para eu colher-lhe rosas azuis.

Andei metade do mundo,
Procurando onde essas flores cresciam.
Metade do mundo à minha pergunta
Respondeu com risadas e brincadeiras.

Voltei para casa no meio do inverno,
Mas o meu bobo amor morreu
Buscando no último suspiro dela
Rosas dos braços da Morte.
Kipling

Cor do céu, cor do amor - mas amor celestial, ideal. Cor das vestes das virgens nos quadros antigos...

 
Alias, levando em conta que corantes naturais de cor azul são poucos e raros, tecidos azuis eram bastante valiosos.

 Abra o baú mais rico,
Levante a coberta bordada.
Lá você encontrará seis cintos de ouro,
Sete vestidos azuis que foram tecidos
Pela filha da lua,
Terminados pela própria filha do sol.
Kalevala

Nas páginas dos manuscritos medievais, vemos damas e cavalheiros de azul.


Na metade do século 14, o rei inglês Edward III fundou a Ordem da Liga. A rainha, ao dançar em uma festa, deixou cair a liga azul que segurava a sua meia. O rei, vendo a alegria de alguns dos convidados levantou a liga e disse aqueles que viam malícia nisso deveriam envergonhar-se. E fundou a ordem.


Obviamente, os mantos dos cavalheiros eram azuis, e também a liga que eles usavam como distintivo era azul: os cavalheiros a colocam na perna esquerda, abaixo do joelho, e as damas, no braço esquerdo, acima do cotovelo.

Enfim, o azul era a cor do poder e da riqueza.

Mas havia também um outro sentido para esta cor: na Idade Média, o azul era a cor de fidelidade amorosa, e depois se tornou a cor da pureza.

A cor azul das vestes não convencerá,
Como quaisquer promessas de amar a sua dama;
Mas quem é fiel e guarda
A honra da dama das más línguas...
...Mesmo não vestindo azul, dá valor ao amor,
E o pérfido traidor,
Cuida de esconder a falha com roupas,
Vestindo-se de azul...

As senhoras do século 16 eram bastante indiferentes em relação ao azul, o preto era bem mais popular, mas já no século 17, a cor começa a voltar à moda (se bem que o azul claro era bem mais popular que o azul escuro).


No século 18, mesmo não estando entre as cores mais queridas, o azul era bastante usado tanto pelos homens, quanto pelas mulheres. 

 

E, no final do século, foi uma das três cores (junto com branco e vermelho) da bandeira da rescem-nascida República Francesa, o que não deixou de refletir no vestuário.


Mas o grande reino do azul escuro foi durante o século 19.

 

Pelas ruas das cidades e pelas páginas dos romances, vagavam dandies vestidos de azul: as demais cores mais brilhantes foram apropriadas pelas mulheres, mas azul...

Tenham vergonha, senhoras!

 
Do bolso da sua sobrecasaca, aparecia a ponta do lenço azul com bolinhas brancas, e a própria sobrecasaca estava aberta, de modo que todos poderiam admirar o colete de cashemira com listras azuis...

Ele realmente parecia um nobre agora, e bem na moda: fraque azul com botões dourados.

Ele estava usando um casaco azul e um colete azul com listras negras de uma polegada de largura.

Ele estava vestido com uma excentricidade puramente inglesa: fraque azul com botões dourados e gola alta, colete branco e calças brancas...

 

A moda masculina ainda era suficientemente chamativa.

As senhoras também gostavam dos tons de azul, principalmente quando se tratava de trajes que imitavam a moda masculina, por exemplo, trajes de montaria. Ou então vestidos que imitavam o uniforme militar (e quem não gosta de militares?).

 

Ao mesmo tempo, o azul torna-se, cada vez mais, "cor de uniforme". Mas o azul não desistia facilmente =)

Já na metade do século 18, na Inglaterra, surgiu o termo "meia azul", que designava uma mulher que valorizava mais a sua inteligência que a aparência (tá bom que, inicialmente, este apelido foi cunhado para homens). Mas ainda não é uma razão para achar o azul chato.


Designer do início do século 20, Mariano Fortuny, criava não só vestidos, mas também tecidos. Seus trabalhos eram tão belos que inspiraram o escritor Marcel Proust a descrevê-los em sua obra mais de uma vez.

 
Pouco antes da primeira guerra mundial, cores berrantes voltaram a Europa, depois de uma breve ausência na virada do século, e o azul tomou todo o palco - inclusive literalmente - teatros, bailes a fantasia...


O pintor Leon Bakst, conhecido principalmente por suas criações para o teatro, adorava o azul.

O traje luxuoso e original de veludo e seda por Bakst de combinações de veludo negro e azul, decorado com safiras e esmeraldas, seda verde, com ornamentos prateados. Penteado decorado com penas de avestruz verdes, lilás e azuis.

Não é impressionante? Um belo traje para um baile de máscaras em estilo oriental.

 
Mas as festas acabaram, e começou o século 20 "de verdade". E nele, o azul passou por tempos difíceis. Haverá muito azul, mas ele definitivamente foi relegado ao papel de uma cor prática, séria, que suja pouco, conservadora, respeitável. Mesmo quando se trata de roupas de festa.


E quase ninguém se lembra dos pássaros e das rosas azuis.

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