No século 19, muitos castelos das épocas anteriores foram reconstruidos, muitas vezes com significativas alterações para torná-los mais pitorescos.
Um exemplo clássico dessas alterações é o castelo de Neuschwanstein, construido no lugar das ruínas de dois castelos medievais por Ludwig II, primo de Elisabeth da Austria, e rei romântico e excêntrico da Baviera. Na época, esta construção, inspirada por castelos romanescos e operas de Wagner, era considerada extremamente brega.
As fotos definitivamente merecem um zoom.
Preto
Posted by Moriel in 1500, 1600, 1700, 1800, 1810, 1840, 1850, 1860, 1870, 1880, 1890, 1910, moda, mulheres
Passam séculos, mudam as silhuetas, mas ela permanece: cor do poder e da sabedoria, do protesto e da solidão, do luto e da melancolia, do luxo e da sensibilidade... Enfim, já colocou-se tanto significado no preto, que ele pode expressar qualquer coisa.
Ele já foi vestido de luto e roupa monástica, pequeno vestido Chanel e casaco de couro, manto rendado e uniforme militar, fraque e roupa de ginástica, batom e meias, sapatinho e máscara. Já foi tudo. Inclua aí vestido de noiva.
Alias, se alguém não tiver nenhuma roupa preta, fique a vontade para jogar em mim uns ovos podres.
Mas não vamos olhar as calças sociais nem as blusinhas básicas, e pensar em algo mais divertido.
E começar bem de longe...
Na metade do século 16, na Europa, o preto firmou-se definitivamente como cor do luto. Por outro lado, é a cor usada pelos cientistas e sacerdotes, médicos e mercadores e, coberto de luxuosos bordados e decorado com pedras preciosas, veste os aristocratas. Roupas negras da corte hispânica, véus negros das senhoras, veludo e peles...
No século 17, as holandesas casadas usam vestidos pretos, junto com imensas golas brancas e toucas de renda.
Século 18... Estão na moda tecidos claros, mas chapéus, fitas, máscaras e capas - os famigerados acessórios da era galante - são muitas vezes pretos. E no final do século, durante a Revolução Francesa, os aristocratas da França vestem-se de negro - morre a monarquia, então vamos usar luto!
Começa o séuclo 19, que transformou o preto no uniforme masculino. Um tanto quanto sem graça, mas tem gosto para tudo.
Quem odiava mesmo o preto eram as jovens viuvas mais fúteis. Tais como Scarlett O'Hara de "E o vento levou", que enviuvou aos 17 e descobriu que só poderia usar vestidos pretos simples, e longos e "horríveis" veus negros.
Depois da morte de Albert, a rainha Vitória não tirou o luto até o final da vida (até mesmo nos casamentos dos seus filhos, comparecia em luto), e o preto reinou na Europa: luto completo - vestidos pretos sem enfeites, depois vestidos pretos mais enfeitados, depois só detalhes pretos... Todo um sistema.
Mas o preto não era só a cor do luto.
Balzac descrevia as belas parisienses de preto: "A quem ela se deve, a um anjo ou a um demônio, a elegante suavidade dos seus movimentos, que ondulam o longo manto negro, as rendas, e emanando um perfume suave?"
E até mesmo as roupas de uma viúva não precisavam ser algo lúgebre: "A visitante estava inteira de preto, da cabeça até os pequeninos sapatinhos de cetim. Pérolas negras decoravam o corpete do vestido dela e desciam, em fileiras cada vez mais dispersas, para a saia. Um veu descia em cascata até os saltos. O outro, aquele cuja finalidade era cobrir o rosto, estava jogado para trás, emoldurando de forma encantadora o rosto pálido com nuvens de luto semi-transparentes".
Agora, no que diz respeito a roupas de baixo, preto é a cor da sensualidade. Meias e lingerie pretas...
Porque, porque, porque, meu deus, quando as pessoas se vestem ao estilo vitoriano, seja reconstrução ou releitura, porque essas pessoas não se dão o trabalho de fazer ou achar bijuterias minimamente condizentes com a época?
Porque ninguém tem bolas para ao menos comprar uns 15 saquinhos de pérolas falsas por um real cada, fazer um fio de nhentos metros e enrolar no pescoço?
Não digo que não tem, mas dá pra contar nos dedos pessoas que se enfeitam com o mínimo de decência!
Eu ia falar sobre luvas também, mas vou parar antes que eu acerte uma cabeçada no teclado por acidente.
Fato, traje de gala do final do século 19, começo do século 20 parece incompleto sem um colar em forma de coleira.
Alias, este tipo de colar se chama, tecnicamente, assim mesmo: Colar "Coleira de Cachorro".
Apesar de um nome nada poético, estas joias foram extremamente populares durante quase 50 anos. E sua maior popularidade coincidiu com a Belle Epoque.
Este tipo de colar foi inventado bem antes. Choker, colar curto que se ajusta ao pescoço, existiu desde a antiguidade.
Na década de 1880, entraram para a moda graças à Alexandra, princesa de Wales. Por causa de um acidente na infência, a esposa de Eduardo VII tinha uma cicatriz no pescoço. Tentando esconder esse defeito, ela usava colares largos de faixas de veludo ou fios de pérolas, que chegavam quase até o queixo.
Sua sucessora, rainha Mary, apaixonada por jóias, não ficava atrás.
Nada surpreendentemente, as mulheres imitaram-na.
Estes colares normalmente eram combinados com colares - riviere (colar curto de diamantes que diminuem ao se aproximar das pontas).
Ou com colares mais elaborados.
Havia quatro variedades de coleiras. O primeiro tipo consistia de uma larga faixa de tecido, normalmente veludo escuro, ou, em alguns casos, rendas ou cetim.
Os mais comuns eram colares desse tipo com uma plaquinha no centro (plaque de cou).
Não posso deixar de mostrar algumas dessas placas por René Lalique.
O segundo tipo eram fios de pérolas miúdas, as vezes mais de dez, com separadores verticais.
O design dos separadores variava bastante, dependendo da fantasia do joalheiro e da cliente. Por exemplo, Maria Pavlovna da Rússia tinha um colar desses com seaparadores em forma de águias de duas cabeças salpicadas de diamantes.
O terceiro tipo é uma mistura dos dois primeiros: fios de pérolas e plaque de cou.
Um pouco mais de Lalique não mata ninguém.
Finalmente, o último era só de metal e pedras preciosas. Muitas vezes, estes colares eram feitos de plátina.
Estes colares combinavam bem com os vestidos da época, enfeitados com rendas e bordados em pedras preciosas.
Obviamente, para usar colares-coleiras, uma senhora precisava de duas coisas: um pescoço longo e bonito, e muito dinheiro.
Afinal, o problema não era só o material: o colar deveria se ajustar bem ao pescoço. Acho que dá pra ver qual o problema:
O que implica que eram feitos sob encomenda (o que torna qualquer coisa mais cara).
História
- Maio 2012 (5)
- Abril 2012 (29)
- Março 2012 (2)
- Janeiro 2012 (5)
- Dezembro 2011 (9)
- Novembro 2011 (15)
- Outubro 2011 (1)
- Junho 2011 (1)
- Maio 2011 (9)
- Abril 2011 (9)
- Março 2011 (21)
- Janeiro 2011 (4)
- Dezembro 2010 (15)
- Novembro 2010 (9)
- Outubro 2010 (22)
- Setembro 2010 (13)


























































