01
out
Azul Claro
O céu pode ser muito diferente. Azul pálido ou mais forte. Turquesa
ao anoitecer... Há muitos tons de azul claro, mas este é, antes de tudo, a cor
do céu.
Ou a cor do segundo elemento, água.
Não é de se surpreender que ele entrou na história como a
cor do divino, da eternidade, do ideal, do mistério. Azul claro é uma cor
romântica e espiritual.
Tal como o verde, o azul é a cor da natureza.
Na Idade Média, o azul claro parecia meio apagado e sem
graça em comparação com tons mais fortes que estavam na moda, mas aos poucos as
pessoas começaram a valorizar a sua beleza. Roupas dos camponeses e capas dos
reis, vestidos do dia-a-dia e de gala, brasões dos cavalheiros, uniformes -
sempre há um cantinho para o azul claro.
No século 17, tornaram-se comuns quadros retratando senhoras
não em trajes de gala, mas em vestidos caseiros. O corpo revelado mais do que o
normal, e inúmeras dobras dos tecidos claros sublinhavam a beleza fora do tempo
e da época.
Às vezes, elas representavam deusas da mitologia grega ou
romana, outras, pastoras ou santas.
E, ao olhar para o retrato da nova amante do rei, cujos
ombros estavam envoltos em um manto azul claro, cor da Virgem, ou que estava
vestida de azul claro, cor da fidelidade, muitos refletiam sobre os pecados,
erguidos tão alto que se tornavam um mérito, não uma falta...
Se bem que outras damas usavam o azul inocente
merecidamente.
Homens também não faziam cara feia para essa cor. Casaco,
calças, laços da cor do céu produziam um belo efeito visual. Ah, e as capas
azuis dos mosqueteiros do rei?
O século galante, admirador de cores suaves e delicadas, foi
o ápice do azul no vestuário. Cavalheiros e damas de azul, vestidos, coletes,
forros, laços e fitas, chapéus...
Às vezes, vestiam-se de azul claro da cabeça aos pés, ou
adicionavam somente uma gotinha de azul.
O início do século 19 foi o reino do branco, e depois de
cores mais fortes, mas o azul claro não foi esquecido.
Nas décadas de 30 e 40, o azul era, ainda, uma das cores
mais populares. Vestidos de gala, forros, capas...
O azul claro adicionava alegria ao preto, digamos
"mantos de tafetá preto com forros de tecido azul ou rosa", ou talvez
um chapéu de seda preta com uma flor ou um laço azuis.
Os anos 50 não ficavam para trás: "vestido azul claro
de tecido chinês, com flores brancas miúdas, corpete a Luis XV. Na cabeça, um
pequeno enfeite de fitas azuis claras também".
Na década de 1860, acompanhando o desenvolvimento de
corantes artificiais, as roupas passaram a ter corres tão fortes que, de acordo
com um historiador, eram "não só berrantes, mas brigavam desesperadamente
entre si".
Podemos entendê-lo, quando se anda entre "vestidos
roxos roxos demais", "púrpuras ou vermelhos, como papoulas, e verdes,
cor da grama", a vista se cansa.
Mas havia uma cor que, por mais forte que fosse, não
irritava. Azul claro. Por mais intenso que fosse, ainda assim é agradável para
se olhar.
Emile Zola descreveu, em um dos romances, a Imperatriz
Eugenie, famosa beldade que ditava a moda na França: "Usava um vestido
simples de seda azul claro com túnica de rendas brancas. Ela caminhou
lentamente ao longo da linha de senhoras, sorrindo e balançando graciosamente o
pescoço nu, enfeitado somente com uma fita de veludo da cor do vestido com um
coração de diamante".
Eis um vestido de corte "princesa", cuja
proprietária estava vestida, certamente, de acordo com a última moda de 1878.
Sem dúvida, afinal o modelo recebeu o seu nome em homenagem à jovem princesa de
Wales, e o tecido azul claro com detalhes dourados também não deixa nada a
desejar.
Rosa e azul claro eram, no passado, uma combinação bastante
comum. Hoje em dia é um pouco arriscado, mas numa época em que vestidos eram
parecidos com sobremesas, era definitivamente bonito.
Emma, personagem do romance homônimo de Jane Austen, tentava
provar que "uma fita azul, mesmo que seja de beleza celestial, jamais vai
combinar com tecido amarelo". A jovem, sempre cheia de opiniões, errou
dessa vez: como sempre, tudo depende dos tons.
Azul claro e bege é uma versão ainda mais elegante.
No início do século 20, o azul claro, cor do ar e da água,
transformava mulheres em fadas.